Uma promessa endereçada a deportados

O versículo mais citado fora de contexto no cristianismo brasileiro foi escrito para uma comunidade específica, num momento datável, com um prazo declarado. Este estudo o devolve ao seu envelope — e mostra por que, lido inteiro, ele é uma promessa melhor.

Jeremias 29:11 · Nova Versão Internacional Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês” — declara o Senhor — “planos de fazê‑los prosperar, não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.

O que o versículo diz

Jeremias 29:11 pertence a uma carta que o profeta enviou de Jerusalém aos judeus deportados para a Babilônia. Nela, Deus declara que as suas intenções para com o seu povo são de paz, não de destruição, e que, depois de setenta anos de exílio, ele os trará de volta para casa. É uma promessa de longo alcance de um bom futuro, dada no momento mais escuro possível.a

O que ele não diz

O versículo não diz que a estação difícil será curta, nem que os planos de quem o lê coincidem com os planos ali anunciados. Os primeiros ouvintes receberam, na mesma carta, a instrução de construir casas e plantar jardins na Babilônia — porque a espera duraria uma geração inteira.b Quem imprime a frase num cartão de formatura como garantia de sucesso imediato está, sem saber, repetindo o discurso dos profetas que a própria carta veio corrigir.

O medo que o versículo responde

Matthew Henry, comentarista inglês cuja exposição de Jeremias foi publicada no início do século XVIII, formulou o medo subterrâneo do exílio em palavras que não envelheceram: às vezes estamos prontos a temer que os desígnios de Deus a nosso respeito sejam todos contra nós. É esse medo — não a falta de ambição — que o versículo 11 desarma. A promessa revela um caráter antes de revelar um cronograma: um Deus cujos pensamentos para com o seu povo permanecem bons dentro do próprio juízo.

O exame frase a frase do versículo, com o texto em quatro traduções e as perguntas mais comuns, está em Jeremias 29:11. A carta completa — quem foi deportado, o que Jeremias mandou fazer na Babilônia — está em a carta aos exilados. E a cláusula que ninguém cita, o prazo de setenta anos, tem estudo próprio em os setenta anos.